
Conservar e desenvolver Itapoá, por Werney Serafini

Alertas sobre alterações climáticas, efeito estufa, contaminação de rios e oceanos, enchentes, secas e outros fenômenos, são notícias de todo dia. Algo precisa ser feito, pois o planeta, comprovadamente, está em risco. É o diagnóstico da comunidade cientifica mundial, apesar de alguns posicionamentos negacionistas.
Não obstante, outra questão permanece nas discussões: o meio ambiente não pode limitar o crescimento econômico, imprescindível para o bem estar social, especialmente para as populações localizadas em áreas ricas em florestas e biodiversidade. No âmago, conservação e preservação, desde que os recursos naturais continuem utilizados em benefício da humanidade.
Assim surgiu no discurso o conceito de sustentabilidade como alternativa para compatibilizar o crescimento econômico e as condicionantes ambientais. Por enquanto discurso, pois ações concretas, além de incipientes são poucas, notadamente em Itapoá.
Exemplo bem sucedido, abrangendo conservação ambiental, desenvolvimento econômico e inclusão social, é pratica no projeto TAMAR, no litoral norte da Bahia. Com o aporte financeiro da Petrobrás, seus idealizadores souberam enquadrar os propósitos preservacionistas voltados as tartarugas marinhas, espécies até então ameaçadas de extinção, com os preceitos do desenvolvimento sustentado, proporcionando a inclusão das comunidades do entorno, gerando emprego e renda para parcelas significativas de pessoas hoje dedicadas às tarefas de preservação. O projeto persiste há mais de 30 anos e é inquestionável quanto aos resultados.
Há que se considerar que os projetos conservacionistas não devem ser medidos somente pela quantidade de empregos ou renda proporcionada por um determinado projeto. É necessário ponderar o serviço prestado pelo bem ambiental, que na maioria das vezes, não é corretamente valorado. Na realidade, a ajuda às populações vulneráveis, pouco tem contribuído para a redução das desigualdades sociais.
Em Itapoá, é urgente a recuperação, conservação e proteção de um dos seus principais ativos ambientais, o rio Saí Mirim, assoreado e invadido pela braquiária, espécie exótica que prospera em razão do desmatamento das margens. Todos sabem que o Saí Mirim é o manancial de captação de água da cidade, portanto fundamental para o desenvolvimento do município.
Cabe destacar, conforme divulgado na imprensa local, que o IMA – Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, responsável pelo monitoramento da balneabilidade nas praias catarinenses, constatou um único ponto impróprio em Itapoá na foz do Saí Mirim, um dos principais pontos turísticos do balneário.
A mesma desembocadura, abriga em suas margens, tradicional colônia de pescadores, que utilizam o rio para acesso ao mar e a pesca artesanal para sustento da comunidade. Colonia tradicional carente de investimentos para atualização da atividade pesqueira.
Sem dúvida, oportunidades únicas para materialização do conceito da sustentabilidade reunindo ações para a recuperação e conservação do rio; viabilização e incremento da pesca artesanal e a consequente valorização do turismo de natureza em Itapoá.
No rio, necessário se faz ações administrativas que determinem recursos para projetos e atividades permanentes para o desassoreamento do leito e a recomposição das matas ciliares. Recursos que poderão ser obtidos parcialmente das tarifas cobradas pelo operador privado do sistema, como condição básica para a prestação do serviço. O que de certa forma ocorre, porém, com os recursos direcionados a obras de drenagens e saneamento. A erradicação da braquiária requer trabalho permanente e constante, sob pena de insucesso a médio prazo.
A tradicional atividade pesqueira, poderia ser beneficiada com a expertise da Coamo, a maior cooperativa privada da América Latina, que está prestes a estabelecer um novo porto privado em Itapoá. Poderia como compensação ambiental, estruturar e operar um segmento destinado a pesca artesanal no sistema cooperativista. Iniciar, filiando os pescadores não só de Itapoá mas de toda a região do litoral norte de Santa Catarina, tal como no seu primórdio em Campo Mourão, no Paraná. Sem dúvida, uma iniciativa inovadora voltada ao pescador tradicional.
Prova de que o desenvolvimento sustentável é factível está demonstrado pelo projeto TAMAR. Antes mesmo da difusão do conceito de sustentabilidade, apoiado pela PETROBRÁS, tornou-se realidade inconteste.
Itapoá (Inverno), julho de 2023.
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Werney Serafini é presidente da Adea – Associação de Defesa e Educação Ambiental. Acredita no desenvolvimento de Itapoá com a observância de critérios ambientalmente adequados.
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